
A maioria das empresas não vai errar por falta de informação. Vai errar por excesso de confiança, adiamento de decisões e leitura superficial da Reforma Tributária.
2026 será, antes de tudo, um ano de tropeços previsíveis. E não por maldade do sistema. Tampouco por falta de informação. Mas, principalmente, porque muitos empresários ainda vão tratar a transição como algo distante, excessivamente técnico ou, pior, exclusivamente contábil.
Enquanto isso, as decisões estratégicas continuarão sendo tomadas como se nada estivesse mudando. Ou seja, preço, margem, contratos e fluxo de caixa seguirão no piloto automático. Consequentemente, o impacto virá de forma silenciosa, porém direta no resultado.
Este artigo, portanto, não é sobre a lei em si. Também não é um resumo técnico da reforma. Pelo contrário, é um alerta estratégico. É sobre os erros práticos que, desde já, estão sendo desenhados dentro das empresas. E, acima de tudo, sobre como evitá-los antes que se transformem em prejuízo.
1. Acreditar que 2026 ainda não exige mudanças
O erro mais perigoso, sem dúvida, é o adiamento. Afinal, adiar decisão também é uma decisão. E, nesse contexto, costuma ser a mais cara.
Muitos empresários, por exemplo, vão repetir o discurso de que a reforma “ainda está em fase de testes” e que, portanto, só será necessário agir quando os novos tributos estiverem plenamente em vigor. No entanto, essa lógica ignora um ponto essencial: quando a obrigatoriedade começa, o tempo de ajuste já terminou.
Enquanto isso, contratos seguem desatualizados, precificações permanecem desalinhadas e sistemas continuam despreparados. Consequentemente, quando a mudança se tornar operacional, o impacto não será gradual, mas imediato.
Ou seja, quem deixa para agir depois, inevitavelmente, vai reagir sob pressão. E, em cenário tributário, pressão quase sempre significa perda de margem.
Esse raciocínio ignora que decisões tomadas em 2026 afetam contratos, sistemas, preços e estrutura de custos que não se ajustam do dia para a noite. Quem espera a obrigatoriedade começa atrasado.
2. Tratar a Reforma Tributária como um tema apenas contábil
Outro erro comum será empurrar toda a responsabilidade para a contabilidade. A Reforma Tributária altera fluxo de caixa, margem, precificação e estratégia comercial.
Quando o empresário não participa da análise, as decisões ficam técnicas demais e desconectadas da realidade do negócio. Tributação não é só cálculo. É gestão.
3. Ignorar o impacto nos preços e na rentabilidade
Muitas empresas continuarão formando preços com base em modelos antigos, sem considerar como a nova lógica de crédito e débito tributário afeta a margem real.
Entretando, o risco não é perder competitividade de imediato. É vender bem e lucrar menos sem perceber. Esse é um erro silencioso, que costuma ser identificado tarde demais.
4. Manter sistemas desalinhados e dados inconsistentes
Empresas que operam com sistemas que não conversam entre si vão sofrer mais. Diferenças entre dados fiscais, financeiros e operacionais tendem a gerar erros, retrabalho e perda de controle.
Em 2026, esse problema deixa de ser operacional e passa a ser estratégico. Diante disso, teremos Informação errada que gera decisão errada.
5. Não estruturar a gestão de créditos tributários
A nova lógica tributária amplia a importância dos créditos. Mesmo assim, muitas empresas continuarão sem processos claros para identificar, validar e acompanhar esses valores.
Crédito não aproveitado não é apenas um detalhe técnico. Na verdade, é dinheiro que sua empresa está deixando na mesa e que não volta para o caixa.
6. Tomar decisões sem simulações e cenários
Outro erro recorrente será decidir no impulso ou com base em percepções. Ou seja, sem simulações, o empresário não enxerga o impacto real das mudanças tributárias ao longo do tempo.
Planejar não elimina riscos, mas reduz surpresas. Quem não simula, aposta.
Conclusão
Os erros de 2026 não serão acidentais, ou seja, eles já são conhecidos, repetidos e amplamente previsíveis.
A diferença entre as empresas que vão sofrer e as que vão se adaptar está na disposição de encarar a Reforma Tributária como um tema estratégico, e não como um problema futuro.
Ignorar agora não adia o impacto. Apenas concentra o custo.
Fale com a Exactaon.
